• Malu Simões

Por que adiamos colocar um "ponto final" no relacionamento?


Dia desses conversei com uma amiga que queria conselhos sobre sua possível separação. Separação de corpos, coração e alma. Ao avaliar a forma distante com que eles já relacionavam, as traições e alguns passos mal dados, fiquei tentando entender o por que aquela relação ainda estava se estendendo sendo que não havia mais qualquer vínculo amoroso entre eles. Passei a avaliar, inclusive, os meus períodos passados de separação e as minhas próprias dificuldades de encerrar ciclos. Tentei identificar quais eram os fatores que levavam a gente, praticamente boiando, em relacionamentos fadados ao fracasso. No movimento natural das coisas, estaríamos nadando para chegar a algum lugar e não em processo de naufrágio, sem forças para usar o colete salva vidas. Não saberia dizer se os meus motivos seriam os mesmos que os dela. Mas a primeira coisa que me passou pela cabeça foi o fato de ser possessiva. Entendem? Por muitas vezes preferi continuar ali, ilhada naquela situação do que deixar o caminho livre para a pessoa seguir. Simplesmente porque não saberia sobreviver vendo a pessoa tocar sua vida adiante e sem mim. E pior: assistir o progresso alheio sem saber se teria condições de fazer o mesmo. O quão triste é isso? Considerar a possibilidade de uma separação pode até envolver “pensar no outro”, porém o nosso “eu” atua como protagonista da história. Porque VOCÊ merece e deseja mais, porque VOCÊ não está mais feliz ou satisfeita, porque VOCÊ simplesmente quer outras coisas. Deixamos de pesar os benefícios próprios para pesar o outro e como ele teria um futuro sem você. Outra coisa, e não menos pior, seria o fato de estar dependente emocionalmente da relação. Aquela coisa de ter se apoiado no outro para se sentir completo e, assim, o outro represente 50% de você. A separação traria, então, a sensação de ficar sem chão, de não ter rumo, de não saber por onde começar. Lembro bem de alimentar esse sentimento e por muito tempo insisti em algo completamente inútil pra mim. Foi mais uma etapa, mais uma relação, que eu perdi tempo voluntariamente. E, por último, consigo ainda identificar uma outra possibilidade que ainda faça a gente permanecer nessa condição infeliz: durante o relacionamento completamente desgastado, nós enfatizamos todas as características ruins que existem entre os dois. O que te aborrece, o que te irrita, o que não te satisfaz. Diante de qualquer possibilidade de separação a insegurança te arrebata como um tsunami. Daí, condicionamos a pensar e lembrar só daquilo o que é bom, esquecendo imediatamente dos pontos negativos. Esse é um recurso normal, mas de fuga. Ficamos vulneráveis e não conseguimos ter a consciência que é nessa hora que nos sabotamos.

Fiz mentalmente esse levantamento de mim e de possivelmente muitas mulheres, como essa minha amiga. Escolhi estar sóbria nesse momento, de autoconhecimento, para não correr o risco de estar a mercê novamente de situações parecidas. Não há mais tempo a perder.

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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