• Malu Simões

Os 35 anos que eu nunca esperei chegar




Eu cheguei aos 35 anos sem ao menos programar a chegada nos 35 anos. Quando ainda criança, na época de olhar muito para frente e me imaginar adulta, casada, com filhos e bem-sucedida na carreira, minha vida se resumia no máximo com 25 anos. Aos 12, ter 25 anos já é um futuro muito longe, imagine 35? Eu nunca projetei a casa dos 35 e muito menos as casas que me fariam chegar aos 40 (porque agora eu estou mais perto dos 40 do que dos 30). Com 25, na minha imaginação, eu já teria realizado boa parte dos meus sonhos. Mas é claro que esses sonhos se limitavam à vida pessoal. Pouco projetava o que me traria realização como pessoa e mulher na carreira, na trajetória profissional. Existia a ideia, mas era um tantão rasa e superficial. Vejo como passei boa parte da minha adolescência iludida com o conceito de que os 20 e poucos anos me fariam feliz e que os 30 tão pouco existiam por encarar como uma fase distante, de muita idade, de pouca juventude. Minha vida foi maravilhosa com meus 20 e poucos anos. Eu vivi, me joguei, me amarrei e desamarrei, vivi sonhos e joguei outros fora. Enxerguei possibilidades, criei novas possibilidades. Amei, amei e amei. Amei muito e muita gente, deixei de amar quem deveria, deixei meu instinto falar mais alto e fui impulsiva, reativa, mais menina do que mulher. Não deixei vontades dentro de casa e ganhei o mundo, abraçando tudo o que eu podia e conseguia. Mas foi com 30 que eu me voltei a mim. Foquei em quem eu sou, no que eu quero e em metas mais reais. Não fiz dessas metas sonhos distantes, lutei e luto. Entendo minhas dificuldades, meus defeitos, minhas limitações e minhas qualidades. A minha habilidade com 30 e poucos anos me permite projetar cada uma dessas características no seu tempo certo. Os 30 me trouxeram clareza. “Não perca tempo com o que não vale”. “Não busque o que não pode ser colhido”. “Aceite. Aceite, entenda, vire a chave e seja feliz”. Mas mesmo com uma nova fase completamente diferente e muito mais agregadora pra mim, veio o medo. O medo desses 30 e poucos anos não serem o suficiente. Me volto para a garota que um dia sonhou só até seus 25 anos. Será que já passou muito e eu não vi? Será que estou velha? Será que envelheci? Será que não dá tempo? Ouvi a Monica Martelli, atriz e escritora com 51 – quase 52 anos, dizendo que não trocaria os 50 anos pelos 40 ou 30. Será que, então, envelhecer é bom? Será que as coisas começam a acontecer depois de uma certa idade? Que seja ela com 30, 40 ou 50 anos? Será que temos medo da idade e só quando ela chega é que percebemos que esse monstro será desmascarado e se tornará um bicho domesticável? Os 35 chegaram desmistificando muitos “por ques”. Mas me trouxe muitos “serás”. Será que agora tudo começa a se encaixar? Espero voltar e responder isso pra vocês e pra mim.

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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