• Malu Simões

O tipo de homem BBB


É a primeira vez que estamos vivendo um marco na história do reality show nacional. Não por se tratar de uma torcida formada para ovacionar o casalzinho predileto ou aquela menina que enfatizou sua história triste e ganhou a simpatia do público. Sem entrar no mérito de quem acha que reality show é a banalização do comportamento humano, o que estamos assistindo agora é uma revolução feminina televisionada.


Me arrisco a dizer que não é exagero de minha parte afirmar isso. Explico: por anos acompanhei dia a dia os episódios de vários reality shows, desde aquele de sub celebridades, anônimos até os de culinária. Essa é a primeira edição que me mantive distante e mesmo assim pude estar interinamente à parte do que está acontecendo. Simplesmente porque o assunto liderou todos as contas de todas as redes sociais. Não se comenta outra coisa, não há interesse em outra coisa: o tipo de homem que está confinado no Big Brother Brasil 2020. Ou melhor: o tipo de mulher que está na mesma casa que eles.


Não precisamos analisar a fundo para entender que estão exibindo o que já era sabido, o que já era vivido, só não era explícito. O tipo de homem BBB é aquele que convive com a gente no mesmo andar do trabalho, é aquele chefe com piadas subliminares, é aquele namorado cheio de restrições. É o homem do bar, o homem da noitada, o homem do Tinder. É exatamente aquele homem que a gente já está acostumada a observar. O que muda? É que passamos de telespectadores para protagonistas.


Li em algum meme ou paródia que circulou no Twitter que a auto estima dos homens do programa deveria ser vendida em cápsulas. Não podia concordar mais. Mas complemento com uma ressalva: parte dessa auto suficiência tem total colaboração nossa. Somos nós as provedoras desse poder acumulativo.

Coloco nesse balaio aqueles homens que se encaixam no perfil de embuste, antes de generalizar toda a classe. É o cara que não se aproxima por interesse, por tesão, por afinidade ou simpatia. É o tipo que chega perto para se auto afirmar, se auto promover, se auto destacar entre os demais. É algum tipo de aposta, algum tipo de birra, algum tipo de necessidade que o impulsiona a agir daquele jeito. Tudo menos vontade de se relacionar.


É o garoto que aparece no Instagram a cada semana com uma menina diferente, que faz transmissão ao vivo da festa para mostrar a quantidade de mulher que está reunida em sua mesa, bebendo de sua bebida e “a fim” de tirar algum tipo de vantagem. É aquele que entende a bigamia como “natureza do homem” e que enxerga a liberdade da mulher como saliência.


Síndrome abastecida por anos em nossa cultura machista. Passada de pai para filho, sustentada pelo mercado de trabalho que alavanca o papel masculino e inclina a figura feminina a se apoiar em pouca auto estima. Sim, porque é na falta dela que abrimos espaço para o homem tipo BBB. É na nossa vulnerabilidade que eles ganham força. É por isso que existem tantas mulheres vivendo relacionamentos abusivos ou se submetendo à situações inesperadas e controversas.


Há quem ache que esse movimento é “apenas” uma comoção feminista e radical. Mas ele é só o pano de fundo de uma consciência enraizada e que precisa mudar para que não haja um indivíduo mais enaltecido que o outro. O pensamento de igualdade e respeito ainda é muito distante.


Ainda hoje li uma entrevista da Nathalia Arcuri, especialista em finanças, para a Folha de São Paulo que dizia: “mulheres precisam lutar contra a baixa auto estima para aprenderem a negociar seus salários e ganhar mais”. Então, vejam, que o que estamos exprimindo aqui é muito mais do que um incentivo para que nós consigamos nos impor mais e melhor.


Estamos acompanhando em rede nacional, no horário nobre, homens que “morreram pela boca” com seu modus operandis tão comum de se ver. Mas a audiência ganha fãs por causa do outro grupo: o de mulheres donas de si, da própria razão e cheias de energia para gritar o mesmo tom de voz. Uma divisão sexista mas com muito potencial para vencer. GO GIRLS!

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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