• Malu Simões

O fim para um novo começo

Atualizado: Jun 8



No auge da minha imaturidade, eu afirmava com segurança que para duas pessoas se relacionarem, bastava gostar. Bastava amar. E esse seria o pilar estrutural de qualquer namoro, noivado e casamento.


Acreditar nisso, talvez, tenha sido o meu maior tombo. Foi por amar demais, gostar demais, que insisti em relacionamentos que não viajariam tantos anos e que não durariam muitos verões.


Desfiz esse pilar e, ao longo da minha caminhada, construí outros tantos que julguei ser fundamentais, até mais, do que o que próprio sentimento em si. É preciso amar, mas é preciso confiar também. É indiscutível ter pele, ter contato, ter parceria, cumplicidade, reciprocidade e incluir planos futuros semelhantes. Uma jornada de sintonia carrega muito mais longevidade.


Até que dá certo, com essa receita meio misturada de doce e salgado. Sendo assim, amar e só amar, já não me seria suficiente e, por isso, fui embora diversas vezes amando, mas por não encontrar esse agridoce tão pertinente para o que eu imaginava.


E agora, hoje, aqui, me encontro pensando sobre os motivos de um começo, um durante e um fim. E já me questiono se a minha maturidade ou se a imaturidade estaria certa. Mais uma vez eu questionei a racionalidade das coisas e ignorei o amar.


Minto. Jamais iria ignorar a suntuosidade do meu sentimento. Mas ignorei a audácia do amor diante de tantos desencontros com os outros pilares.


Essas lacunas que não existem, se dissolvem durante o relacionamento. Fique tranquila. Mas o amar, ele não vai, ele não passa e ele é o que perdura a sua dependência daquilo que já não existe mais. A voz, o cheiro, o não dizer nada e estar junto. Isso não passa e isso, atualmente, parece ser a única e indispensável estrutura. Porque até hoje, você está aqui. Eu estou aqui.


É o fim do amor que dedura um novo começo. Então, se ainda existe amor, não existe recomeço. Existe apenas o que ainda ficou. Aquele farelo de adoçante no fundo da xícara do café, que não se mistura com o líquido ainda fervendo.


Há alguns dias eu estava revendo aquele filme “Cinco anos de Noivado”, mais um “mamão com açúcar”, mas que dá a sensação de aconchego quando você identifica que todo mundo sofre por amor. A mulher que coleciona mais de 40 anos de união com o marido, chegou a afirmar que “ele não era e nunca foi a pessoa certa pra ela, mas que ela o amava”. E estava ali a minha medida em equilíbrio praquilo que eu passei uma vida acreditando e me desapeguei.


Será que é isso? Que eu inverti a pirâmide de prioridades e o amar e só, já basta?

O amar e só é o que segura, que prende, mesmo quando não há ninguém segurando sua mão. Eu ainda me encontro aqui.


Então, o que de fato, concretiza o fim e um novo começo? A falta de estabilidade em uma relação ou a falta de amor?


Então, o que de fato concretiza que ainda não é o fim e apenas um recomeço? O amor que ainda existe? O pensamento que não cessa, a cabeça que não descansa?


O que configura um novo começo diante de tantos sentimentos antigos?


Que, talvez, ainda não seja o começo e nem o fim. Apenas mais um meio da caminhada com muito a aprender.


Esquecer alguém é aceitar que você vai reconstruir os pilares do seu relacionamento com você mesma.

Boa sorte!