• Malu Simões

Mulher de 30 da Semana: Ligia Paula Machado

Com 8 anos, Ligia Paula Machado começou sua trajetória como bailarina. Esse foi só começo: dali em diante ela ingressou no sapateado, na dança do ventre, no contemporâneo, piano e ginástica rítmica. Passava seus dias dançando. Com 13 anos, ela que sempre amou arte, teve sua primeira experiência no teatro e com 16 descobriu seu potencial para cantar. Escolheu a fonoaudiologia para estudar na faculdade e, nesse mesmo período, conseguiu seu primeiro trabalho como atriz profissional no teatro Imprensa - em um musical infanto-juvenil da Cintia Abravanel e Vladimir Capella. A menina cheia de sonhos e habilidades resolveu não clinicar e se dedicou às artes cênicas. Produziu "O Primo Basílio - Musical" que ficou em cartaz durante 4 anos e desde então foram 11 produções e atuações teatrais. Atualmente, Ligia consegue conciliar sua carreira de fonoaudióloga, o que potencializa sua própria performance e de seus pacientes.

Com quantos anos exatamente está e qual foi sua percepção ao ingressar na “casa dos 30” R: Estou com 33. Sou pisciana com ascendente em aquário. Eu sempre achei que um ser humano com 30 anos teria obrigatoriamente “pé de galinha”, barriga, fosse casado e com filhos. E não é que não tenho nada disso?! Meu corpo esteticamente está igualzinho e isso se deve ao esporte, sou basicamente uma formiga atômica que não pára quieta um minuto. Até quando viajo, arrumo um jeito de fazer uma trilha, uma caminhada, sei lá. Odeio ficar ociosa. Odeio todo tipo de bebida alcoólica, menos vinho. Acho que foi a disciplina do ballet desde pequena, não sei. Falei esteticamente bom, porque depois dos 30 vieram as dores no ombro, no joelho hahahahahahah. Agora a melhor parte foi o amadurecimento. Isso foi maravilhoso. Sabe aqueles sentimentos de: estou solteira e tudo bem (agora estou namorando, mas fiquei bastante tempo solteira). Estou no 15º namorado e não sou uma "galinha" por conta disso. Odeio balada e não preciso fingir para os amigos que gosto, não farei nada com a necessidade de ser aceita porque não preciso da aprovação dos outros. Sabe, esse tipo de coisa? Mesmo que alguém te diga tudo isso, é diferente quando você sente. E sentir essas chaves virando na sua cabeça é a maior paz que alguém pode sentir. Muita coisa muda nesse período: desde objetivos, planos, até o jeito de agir e pensar. Você sentiu isso de alguma maneira? R: Até os 27 eu tinha uma mentalidade. Dizem que se inicia a era do retorno de Saturno, e olha, despertou em mim uma necessidade muito grande de auto-conhecimento, um mergulho na espiritualidade. Não estou falando de igreja, o que para alguns pode até funcionar. Mas eu digo sobe propósito de vida, o que essencialmente eu busco, sabe? Comecei a ler muito: física quântica, energia, meu propósito de vida, novos conceitos como o metodh DeRose, alimentação, meditação, etc. Resumindo, eu vejo que em cada fase da vida há algo que te motiva, que te orienta, um despertar inconsciente. Isso é fantástico. Mas aos 30 você junta todos os códigos e faz o seu próprio mapa, você enxerga a sua alma e aí sim você aprecia os momentos como eles realmente são. O que mudou na Ligia de 20 e poucos anos para a Ligia de 30 e poucos? R: Eu sempre tive um ímpeto de achar que nada era impossível, que eu poderia fazer absolutamente qualquer coisa, era só eu ter foco. E se algo me atrapalhasse, eu me desfazia daquilo e seguia em frente. Eu terminei relacionamentos por não querer nada que me travasse, encerrei amizades, enfim. Eu era bem tempestiva. Se alguém fazia algo para mim eu logo pensava “ele não sabe com quem está lidando, já volto” e ia lá falar tudo que eu achava que a pessoa precisava escutar. Quando fui chegando aos 30, junto com o meu estudo, entendi que essa agressividade fazia parte somente de uma projeção, que não era eu de verdade. A minha essência é a sensibilidade que, inclusive, é o que me motiva a ser artista, é me comunicar com amorosidade. E a outra parte que habita em mim, de querer modificar a vida das pessoas, é a minha essência fonoaudióloga que, por intermédio da minha profissão, eu posso levar o bem estar. Hoje tudo faz sentido, inclusive no campo afetivo isso se refletiu. Óbvio que os contra-tempos acontecem, mas hoje eu prefiro mil vezes ter paz do que ter razão. E o que permaneceu? R: Eu tenho uma moleca dentro de mim, que adora fazer palhaçada (quem é meu amigo sabe bem). Meu jeito vovó desde sempre, dormindo cedo pra acordar cedo. Amo novas sensações, conhecer pessoas novas, lugares novos, tudo novo. Sou muito curiosa, adoro aprender novas habilidades. Isso foi desde sempre! Teria algum conselho para essa Ligia “mais nova”? R: Não. Se eu não tivesse passado por tudo que passei, não seria tão forte hoje. As feridas são minhas tatuagens. Algumas tortas, outras feias, mas são minhas! Acredita que sua forma de se relacionar também mudou? Se sente mais confiante, mais segura nos relacionamentos? R: Sim! Eu nunca me achei bonita, hoje eu acho. Eu tinha uma necessidade de agradar as pessoas. Hoje eu sei que o ser humano se faz pelo conjunto, que basta uma boca aberta com 10 palavras podres pra gente sair correndo achando a pessoa medonha, rs. Hoje eu me sinto com meus sentidos mais aguçados, mais tranqüila e dou mais atenção à minha intuição. Como é sua autoestima hoje? R: Cada dia, para a minha personalidade, é uma surpresa diferente. Só que agora eu entendo que se eu estiver num dia meio borocoxô, tudo bem. Talvez esteja precisando de um momento mais introspectivo, aproveito esse momento e busco alguma leitura que me deixe melhor, assisto um filme, ligo para uma amiga. Mas normalmente eu sinto minha auto-estima forte e inabalável. Eu construí isso dia a dia. Hoje eu sei que não é o ego que me cega, eu realmente gosto de quem eu sou. O que você acha que tem de especial nas mulheres de 30 anos? R: A leveza, a espontaneidade, a sinceridade, a certeza de que não vamos abrir mão da nossa felicidade. Qual é seu maior objetivo a conquistar com 30 e poucos anos? R: Comprar minha casa. Estou quase lá!


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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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