• Malu Simões

Dica: séries da Netflix que falam sobre relacionamento

É muito difícil eu gostar ou indicar algum tipo de reality show. Sempre acho que esse tipo de conteúdo fica no mais do mesmo ou acaba se perdendo na metade, mesmo assim, me dei o direito de analisar duas séries originais da Netflix que envolvem o tema que eu tanto falo: relacionamentos.


A primeira chama Love is Blind ou Casamento às Cegas. Filmado em 2018, o programa deixa um grupo de mulheres confinado longe do grupo de homens. Eles vão ter encontros às cegas, em cápsulas que os separam por uma tapadeira. Nesse circuito de “dates” a intenção é que eles se conheçam e se conectem única e exclusivamente por afinidade e não pelo aspecto físico (por isso o nome da série, que na tradução literária significa “o amor é cego”).

Já nos primeiros episódios a gente conhece os participantes que estão completamente entregues à experiência de estar ali e encontrar o grande amor de suas vidas. Para que eles se conheçam pessoalmente a única possibilidade é ficarem noivos, ou seja, acreditar que a sintonia seja perfeita para seguirem uma vida a dois, independente de considerações externas. Com o noivado certo, se veriam frente a frente e começariam uma nova etapa do reality: passar férias no México, como se fosse uma lua de mel para criarem intimidade, depois se mudariam para o mesmo apartamento, apresentariam suas famílias e, por fim, o casamento aconteceria. Tudo real e oficial.


Nos encontros, eles levam caderninhos para anotarem os nomes de seus pretendentes, as características e observações. Ao longo dos episódios vai ficando claro quem já criou uma relação de proximidade, tanto que eles acabam optando por não irem mais em encontros e decidem conversar apenas um com o outro. É nessa fase que a gente entende como algumas pessoas criam expectativas, suposições, fórmulas de como um relacionamento ou um companheiro deve ser – o que pode implicar em muitas coisas negativas na hora de se conhecer pessoalmente.


Um dos casos que mais me chamou a atenção foi uma mulher de 34 anos que durante suas entrevistas enaltecia muito a aparência como vínculo primordial. O rapaz teria que ser mais alto do que ela para aconchegar seu abraço, um homem mais velho do que ela e ainda alguém que já estivesse mais estabilizado financeiramente e que gostasse enlouquecidamente de esportes. Se fosse loiro, melhor ainda. Pasmem que sua paixão foi por um homem bem mais novo do que ela, mais baixo, começando sua carreira, com poucos atributos físicos que lhe interessariam. Mas na conversa, nas intenções, nas possibilidades de futuro, os dois se encaixavam perfeitamente. Como ela reagiria quando visse que seus pré-requisitos não foram preenchidos? Será que ela estaria emocionalmente aberta para dar uma chance praquilo que a faria feliz verdadeiramente?


São 11 capítulos que discorrem a história de seis casais com muitas reviravoltas. No último episódio todos os participantes se encontram e revelam como estão, agora em 2020. Pasmem: alguns casais ainda permanecem juntos provando que o amor pode ser cego, sim.


Minha segunda indicação se chama Back With The Ex (de volta com o ex). Apesar de ser bem menos dinâmica que a outra, eu gostei mais. Sabe aquela cortina que se abre diante de nossos olhos? Essa é a série pra você que pensa no antigo relacionamento, que pensa no “Se”: e se eu voltasse, seria diferente? E se a gente fizesse de outro jeito? E se eu exigisse menos? E se a gente tentasse uma última vez?

Eu sempre defendi a teoria de que retomar algo que está no passado é apenas dar um tempo para que todos os problemas venham à tona novamente. Muito dificilmente os problemas estão sanados ou não aparecerão de novo. As mesmas crises de convivência estariam ativas. Então, pra que apostar nisso e perder tempo? Exceto raras exceções, é esse panorama que o reality mostra.


São quatro casais, cada um com sua história sobre o término, que resolvem se dar uma chance, pela última vez. A distância, a infidelidade e os problemas de comunicação estão tendo uma nova oportunidade de se desenvolver em situações distintas. Pode dar certo?

São sete episódios para você ter essa resposta e tirar conclusões. Um dos casais que mais me trouxe respostas foi o que ficou separado por 28 anos. A distância (por morarem em locais opostos) foi a grande responsável pelo rompimento. Mesma distância que ainda existe hoje. Será que 28 anos depois, esse problema seria apenas uma vírgula e não um ponto final?


Acho que vale a reflexão pra cada conteúdo e que pode ser espelhada nas nossas perspectivas atuais. Talvez seja mais fácil olhar para o outro ao invés de avaliar a situação que estamos vivendo e, ao fazer isso, você possa retomar pra si e ter respostas, além de incentivo e estímulos pra mudar sempre que puder.


Boa quarentena.

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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