• Malu Simões

As melhores experiências da rota do vinho, em Bento Gonçalves



Viajar pelo Brasil sempre ficou em segundo plano diante da possibilidade de conhecer mundo afora, com passagens acessíveis e roteiros diferenciados. Com a pandemia, esse conceito passou a inverter de direção: se movimentar pelo nosso país é a única opção com a alta do dólar e tantas fronteiras fechadas.


Uma recente pesquisa divulgada pela plataforma Hoteis.com, mostrou que 47% mudou esse mindset e visa desbravar o Brasil em roteiros turísticos sendo 46% optante por destinos ao ar livre. Seguindo essa tendência e mantendo todas as medidas de segurança, visitei pela terceira vez a região de Bento Gonçalves e Vale dos Vinhedos.


BENTO GONÇALVES


Muita gente já ouviu falar sobre a região e sua produção local de vinhos. Mas antes de 2020, esse destino era considerado apenas uma passagem para apreciar o que o Vale dos Vinhedos tem a oferecer como forma de reconhecimento. Depois da pandemia e com o isolamento social, o consumo de vinhos nacionais teve um crescimento histórico: 44% a mais no segmento de vinhos de mesa e 106% em vinhos finos.


Isso significa que Bento Gonçalves passou a brilhar os olhos de muitos turistas que estão inseridos naquela porcentagem que querem prestigiar nosso país. O nosso paladar passa, então, a prestigiar os rótulos que são produzidos e comercializados por aqui, valorizando o que é feito por nós e pra nós.


HOSPEDAGEM

Para chegar em Bento Gonçalves e passear por lá, vai ser preciso um carro. A melhor opção é chegar no aeroporto de Porto Alegre e alugar um carro para viajar mais 1h30 até o destino. Sendo assim, tendo o conforto de um veículo, você terá mais autonomia para escolher a hospedagem no entorno sem precisar ficar refém das distâncias das vinícolas escolhidas. Eu já fiquei hospedada no Spa do Vinho, o hotel mais renomado da região, que tem uma estrutura grande e spa com tratamentos diferenciados. Porém, para uma recepção mais intimista e exclusiva, sugiro as menores propriedades que geram um fluxo de renda para o turismo local. Existem várias opções mais rústicas, porém confortáveis, aconchegantes e com ótimo custo x benefício.


Esse é o caso da Afeto Pousada que conta com 4 chalés em formato de cabana, com minicozinha e decoração muito fofa dando essa sensação de acolhimento. Nesse tempo de isolamento social, o café da manhã é servido no próprio quarto, numa cesta recheada com café, leite, suco, geleias caseiras, bolo, folheados, pães, frios e frutas. E se você tiver sorte, ainda recebe um bilhete personalizado, escrito a punho pela Jô (proprietária) desejando um “excelente dia”.



VINÍCOLA PIZZATO


A família Pizzato se dedicava ao cultivo de videiras para vender aos produtores locais. Foi em 1999 que eles constituíram a “Pizzato Vinhas e Vinhos” e começaram a produzir os rótulos próprios, com participação ativa de todos os membros da família.


A sede apropriada para a degustação tem vista para as parreiras e comporta uma série de experiências harmonizadas com queijos ou charcutaria. Escolhi a de queijos gaúchos que regia uma sequência organizada desde espumante, vinhos brancos e tintos, totalizando 6 rótulos da casa. Essa prova de sabores equivale a uma refeição, acompanhada de cestas de pães e azeites.


CAVE DE PEDRA


A escolha da Cave de Pedra foi sem dúvida pela parte estética. O monumento em forma de vinícola foge aos padrões do que vemos em Bento Gonçalves e a estrutura rende bons registros. Ela é considerada uma das primeiras “vinícolas boutiques” do país, que surgiu ainda em 1997. O castelo construído em pedra balsato foi desejo de um dos donos que também é sócio da Casa Valduga.


Reconhecida pela produção de espumantes e vinhos, a visitação contempla um passeio por dentro da estrutura do castelo com degustação em cada ponto de produção. O “plus” fica para desbravar as torres abertas para visitação e o clique com o Spa do Vinho ao fundo.


DON GIOVANNI


A visitação com degustação na Vinícola Don Giovanni é uma verdadeira aula sobre a produção dos vinhos e espumantes, com uma viagem bem específica pelo roteiro e história da família, desde às escolhas mais sustentáveis e de menos impacto ambiental nesse processo.


O que me chamou a atenção é que a propriedade foi a responsável pela criação e fabricação da bebida Dreher, que todo mundo conhece como o famoso conhaque brasileiro. Atualmente, Dreher e Giovanni são os sobrenomes que carregam o legado e produção da família. O casarão de 1930 foi transformado em pousada no ano de 1997, sendo também uma ótima opção de hospedagem.


CRISTOFOLI


Cristofoli é uma família de viticultores que está sediada na região há 130 anos. Há 33 anos os membros decidiram produzir não somente para consumo pessoal e, sim, para comercializar seus rótulos exclusivos. Atualmente, a quarta geração da família no Brasil gerencia produção, negócios e estruturou várias possibilidades de experiência dentro da propriedade.


O que me gerou mais curiosidade (e que eu queria fazer) era a pisa das uvas, no passeio da Harmonia da Vindima – mas essa é uma possibilidade somente para o início do ano com vendas já abertas, a partir de janeiro de 2021.


A opção mais irreverente foi o Edredom nas Parreiras, um piquenique embaixo das uvas, com vinho que você mesmo escolhe (durante uma pequena degustação prévia), seleção de frutas secas e frescas, queijos, charcutaria, pães e chocolate. Eles preparam tudo com muita delicadeza, música ambiente e conforto para receber 2 visitas nesse modelo por dia.


AURORA


A marca Aurora é de vasto conhecimento em vários rótulos nas prateleiras do mercado. A visitação com degustação é feita na sede dentro da cidade, diferente das outras vinícolas que estão inseridas nas rotas históricas. Ela é bem rápida e gratuita, feito em grupos grandes e simultâneos.


Vale a pena conhecer porque a Aurora é a maior vinícola do Brasil, sendo a única cooperativa, ou seja, que rende trabalho contínuo para mais de mil famílias que produzem unicamente para a vinícola que faz o fluxo de comercialização nacional e internacional, para mais de 20 países.


MIOLO


O Grupo Miolo fica próximo à Cave de Pedra e em frente ao Spa do Vinho. É a vinícola mais suntuosa em questão de tamanho e aparência – são 450 hectares plantados. Minha curiosidade era saber mais sobre o icônico Lote 43, vinho premiadíssimo e que foi gerado dentro do Lote 43, propriedade que está a sede do grupo.


Atualmente, ela é a mais tecnológica e abriga uma produção extensa entre espumantes, vinhos e, agora, os vinhos enlatados para suprir uma geração nova e que pode reconhecer o vinho como uma bebida refrescante.


Minha visitação foi guiada por uma sommelier que mostrou toda a linha de produção, as sequências de barricas francesas, americanas e a primeira linhagem de vinhos produzidas pelo Grupo Miolo. Um acervo atual e histórico ao mesmo tempo, que me chamou muita atenção. Por fim, fiz a degustação e pude provar os sabores de uvas que eu nem sabia que existia.

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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