• Malu Simões

A liberdade de ser "normal" é o "novo normal"


Logo quando começou a quarentena, me vi pesquisando as melhores maneiras de ser produtiva em casa e, com isso, o melhor jeito de fazer o home office (sendo minha primeira experiência na vida). Encontrei artigos onde falavam sobre separar um espaço pra você, para o seu computador, fazer sua área de trabalho e sua agenda com horários e rotinas. Assim o fiz. Tentei ao máximo organizar meu dia como se não houvesse alteração com os dias “normais”. Acordar cedo, tomar café, sentar na mesa para trabalhar, almoçar e encerrar o dia com o minha atividade físico para, então, descansar. Pensar na possibilidade de deixar fluir tudo dessa forma não tem nenhuma dificuldade. É fácil uma vez que essa era a minha diária durante os dias de semana. Meu obstáculo agora era um “só”: estar o tempo todo em casa. Passaram os primeiros dias e as primeiras semanas e eu de fato realizei que jamais conseguiria adotar a minha vida externa, no mundo externo, com a minha realidade dentro de casa. Completamente dispersa com a dieta, completamente sem ânimo para fazer um treino funcional na minha casa. Minha casa é meu reduto, meu esconderijo, onde eu fico para me acalmar, para descansar, para ter meu vinho “eu e eu mesma”. Como, agora, fazer dele um antro de alta produtividade? Percebi esse desafio quando comecei a compartilhar isso nas redes sociais: tentei manter o padrão das minhas publicações com receitas saudáveis, com vídeos e dicas de treinos. Era uma forma de estimular meus seguidores e a mim mesma em busca pela rotina padrão, o antigo “normal”. Minha surpresa foi saber que esse “padrão” havia caído por terra. Assim como eu, muita gente estava frustrada e desanimada com o fato de ter que lidar com outras possibilidades, com uma nova realidade onde estamos ainda tentando nos adaptar. Ver que alguém consegue viver como se nada tivesse mudado, é de enlouquecer literalmente. Da mesma maneira que eu estava parando de seguir muita gente para não alimentar minha ansiedade e minha auto pressão, as pessoas estavam fazendo isso comigo. Eu não queria acordar e ver “aquela menina” fazendo seu suco verde, pra depois meditar e em seguida treinar 40 minutos, perdendo 600 calorias enquanto eu me esforçava para apenas conseguir concentrar no trabalho do dia. O fato de eu comparar o sucesso dela com o meu fracasso meu fazia promover aquele autoflagelo, onde eu me culpo por me sabotar. Comecei a entender que o que me inspirava, me motivava, no “antigo normal” não se encaixava no meu “novo normal” e isso gerou uma reação em cadeia: o mesmo que aconteceu comigo, aconteceu com quem me acompanhava e eu perdi alguns números de followers. Em um determinado dia resolvi fazer uma faxina no meu Instagram. Parei de ver inúmeros perfis que me causavam ansiedade e comparação injusta. Limpei o que eu via diariamente. Substituí por perfis que me davam incentivos de ser uma pessoa completamente “normal”. Aquela que tem dias bons e ruins, aquela que de vez em quando consegue produzir muito e outras vezes nem tanto. Que foge da dieta, mas que entende que está tudo bem. Aquela que fala diretamente comigo e com o que eu vivo. Motivação, bem estar, realidade próxima. Acompanhei na minha vida o novo movimento das redes sociais. A troca do belo, intocável, por aquilo que tem a ver com a minha realidade. Com essa experiência tão unilateral, convidei a Dra Maria Flavia Vetorasso, psiquiatra especialista em transtornos alimentares, para fazer uma LIVE comigo e debater de que forma as redes podem nos causar impactos positivos e negativos. Nesse dia pude comprovar cada sentimento que eu senti. A busca pelo irreal é o nosso maior erro. As meninas que moram em verdadeiras mansões, que continuam treinando com personal trainer, que fazem piquenique no jardim, que continuam faturando milhões mesmo na crise. O que essas meninas contribuem para o meu universo? Nada. Elas representam exatamente aquilo que é inatingível, uma realidade estética que não existe e isso nos afeta dia a dia caso seja a nossa meta: ter e viver o que elas têm. Não que não possa servir como inspiração para alcançar objetivos, mas somos perfeitamente capazes de entender que esse não é o momento. Esse é o momento de nos encontrarmos, de diminuirmos os impactos ruins, de nos conectarmos de um jeito mais perecível. Durante esse bate papo ao vivo, A Dra Maria Flavia apontou exatamente para isso: como acompanhar o inacessível pode gerar danos emocionais e psicológicos para nós e, ao invés de estar em contato com esse perfil inalcançável, trocar por páginas que nos confortem de outra maneira, com conteúdos que façam parte da nossa essência. Afinal, ninguém tem uma vida perfeita, né? Não adianta a gente achar que a grama do vizinho é mais verde e se chatear porque a sua secou. A resposta é encontrar um caminho que faça a sua ficar verde ao invés de apontar o que os outros têm ou deixam de ter. Ouvi claramente o que ela disse sobre um novo perfil de comportamento nas redes sociais: que antes privilegiava uma ostentação de lifestyle e que agora nos mostrava uma rotina mais confortável, mais compatível, mais próxima do que eu e você temos e queremos. Os defeitos, as dificuldades, geram temáticas tão interessantes quanto e que nos dão a oportunidade de criar verdadeiras comunidades com pessoas que compartilham da sua realidade. Encerramos a nossa conversa com algumas dicas importantes que gostaria de registrar para vocês: reconsidere suas redes sociais. Faça uma limpeza e deixe aquilo que apenas te dê sensações boas. Deixe de seguir o que te deixa mal e abra espaço para acompanhar perfis motivacionais, com histórias inspiradoras. Conecte-se com pessoas próximas, que você possa manter um diálogo. Desconecte-se das redes sociais sempre que puder e, principalmente, não se cobre tanto. A nossa auto pressão é nossa maior inimiga. Seja bondosa com você, respeite os dias ruins e aproveite os dias bons. A mudança só vem, quando nós mudamos o jeito de ver o mundo. E que de alguma forma os meus canais possam ser uma ponte de ligação forte entre nós. Estamos aqui e juntas!

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Conheça a autora

A espontaneidade sempre foi seu guia e a ideia de mostrar grandes comunicadores em papeis mais soltos foi seu maior diferencial durante a trajetória como repórter de tv. Ao lado de grandes apresentadores, Malu Simões teve a oportunidade de mostrar sua irreverência e construir conteúdos diferentes para as mídias digitais.

 

 

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